Serei monárquico quando o meu pai for rei. Aí pedirei perdão à minha mãe!
terça-feira, março 11, 2008
sábado, janeiro 05, 2008
Prazeres
Um dos meus maiores prazeres é escrever. Gosto muito! Principalmente quando se trata de questionários de resposta fechada. Aqueles que servem de preliminar para uma qualquer venda. Eu entendo perfeitamente essa técnica! Quem consegue escapar à excitação de preencher um questionário?
Prazer comparável só quando vemos uma mulher de meia-idade explicar ao seu filho porque é que a Soraia Chaves se sentia molhada no spot do Call Girl que repetidamente passa na nossa televisão! Garanto-vos que a senhora não foi pelo caminho tentador da incontinência!
terça-feira, novembro 27, 2007
Para onde vamos?
A história da humanidade mostra-nos que o caminho que o homem tem percorrido não é no sentido da resolução dos seus problemas mas antes na substituição destes por outros nem sempre menos inquietantes que os primeiros… A evolução é, quase sempre, um fluxo de ideias idiotas que se transformam em soluções pela falta de perspectiva. Não sou céptico quanto aos avanços tecnológicos e agrada-me a ideia de uma constante transformação dos estilos de vida com base nas novas possibilidades que nos são apresentadas. Mas para onde vamos nós? O etnocentrismo geracional tolda-nos a capacidade crítica e distorce perspectivas. Estaremos a perder as mais básicas premissas da humanidade?
Até Darwin, assumia-se que evolução era sinónimo de melhoria rumo a uma perfeição ideal, Jean-Baptiste Lamarck é exemplo disso. Mas estaremos agora muito longe desse preconceito? Teremos compreendido realmente as implicações de “A Origem das Espécies” de Charles Darwin?
quarta-feira, outubro 24, 2007
Ressurreição
quinta-feira, outubro 11, 2007
Vírgula
Sol no horizonte, ele está sentado na praia sozinho, olha o mar calmo que se oferece perante a sua inércia. O resort de luxo estende-se atrás dele. Houve-se algum barulho de fundo mas o que ele realmente queria era uma banda sonora para aquele momento. Começa a ouvir a música vinda dentro de si. O fim de tarde é ameno e trás consigo uma suave brisa marítima que acaricia a sua face. O ambiente ajuda-o a construir mentalmente um cenário vibrante de uma noite exótica no bar do hotel onde mulheres bonitas flutuam ao ritmo da música quente que a banda local constrói com paixão. Vê-se a entrar no ritmo ajudado por umas Margaritas. Vê tudo bem nítido, apesar de continuar em frente ao mar calmo que o transportou para aquela ilusão. Dá graças pelo seu momento de solidão. Olha o mar por uma última vez e levanta-se, vira-lhe as costas e prepara-se para emergir de novo no mundo apressado e extenuante que serve de tela para a sua vida. Amanha ele voltará para ver o mar.
terça-feira, setembro 11, 2007
Virar para baixo!
Sinto-me desiludido com os prazeres da vida. Quero experimentar ódio e frustração. Quer ver o lado negro do prazer que tenho sentido. Estou farto das faces cor-de-rosa e dos ângulos correctos. Das perspectivas iluminadas, dos sorrisos desmedidos e das canções festivas. Quero sentir o podre que há em mim. Quero ver sangue! Estou rodeado de coisas belas, tudo à minha volta incorre num movimento contínuo de busca da perfeição, um movimento em espiral ascendente que, impreterivelmente, afasta tudo o que é imperfeito.
Quero uma cicatriz no meu peito. Quero olhar para ela no banho, sentir a sua imperfeição e perceber que é assim que eu sou. Quero perceber que não estou nesse movimento em espiral, e que, se algum dia entrar num movimento espiral, ele será descendente e nunca ascendente. Quero entrar numa loja de uma qualquer cadeia discount e consumir. Quero uma garrafa de água inestética ao meu lado, quero abrir uma embalagem de um qualquer tipo de comida pronta de uma marca impronunciável e afundar-me num sofá gasto. Assistir às televendas durante horas e sentir-me miseravelmente infeliz. Não quero absolutamente nada nas paredes que possa disfarçar o péssimo trabalho de pintura feito pelo colega de um primo qualquer que, por acaso, tinha uns baldes de tinta esquecidos no quintal. Abro aí uma excepção para um calendário ordinário de um qualquer ano da década de oitenta. Quero ligar o rádio manhoso que quero comprar numa loja de penhores e ouvir o último single do Michael Jackson.
Não quero voltar a sonhar! Porque é aí que mais me aproximo da perfeição.
sábado, setembro 08, 2007
Ficar em casa!
Quando estamos perdidos sabe bem parar. Desligar o carro e lutar com o mapa. Se não houver um sitio para parar, nem um mapa para nos irritar, aí sim: estamos mesmo perdidos. Sem poder parar, sem um mapa que nos desvie a atenção por uns segundos, o próximo cruzamento é sempre ameaçador. Pior ainda quando o nosso carro não tem marcha-atrás.
Nesse dia o meu amigo contou-me a história do seu passeio de Verão. Falou-me dos cruzamentos inevitáveis e dos problemas de transmissão do seu carro. Falou-me das dúvidas, da vontade de tomar, no próximo cruzamento, a estrada mais atrevida, sair da auto-estrada e seguir por uma linha mais sinuosa. Reflectindo agora um pouco, fingi. Fui tendencioso, falei-lhe bem da auto-estrada mas sou um apaixonado por estradas de montanha sem fim, cheias de curvas e com aquele piso medonho a que nos vamos habituando com o passar dos quilómetros. E como ele parece ansioso por fazer umas curvas apertadas. Só tenho medo que ele queira voltar a entrar na auto-estrada a muitos quilómetros da próxima entrada. As estradas de montanha são deliciosas, são inebriantes mas não servem para longas viagens. Por isso, quando ele tomar o próximo cruzamento eu só espero que a próxima entrada da auto-estrada não esteja demasiado longe. Ou então que aquela estrada exuberante se envergonhe, se transforme numa boa estrada, uma via rápida talvez, ou, quem sabe, numa auto-estrada ainda mais larga que a anterior.
Sim, porque ele já se decidiu…
terça-feira, agosto 21, 2007
sábado, junho 16, 2007
Little Ant
Gosto de parar. Gosto dos bancos de jardim virados para ruas vibrantes. Antes não percebia os reformados que passam a tarde à janela desfrutando do trânsito, hoje percebo. É incrível a parecença que temos com as formigas. Quando era miúdo bloqueava ao ver um carreiro de formigas e questionava-me sobre as motivações daqueles pequenos seres. Hoje começo a perceber o que as determina. Sentado naquele banco de jardim sinto-me como o miúdo que se sentava encostado ao tronco de uma árvore de olhar fixo naquele carreiro de formigas. Temos neons e arranha-céus mas somos tal e qual aquelas pequenas formigas a caminho da eternidade…
