segunda-feira, janeiro 29, 2007

Arte

Quando é que algo se torna arte? Quando é único? Quando tem como origem uma intenção especifica, única e irrepetível? Quando é belo?

Sinto a beleza de maneira diferente. Vejo em cada coisa que se atravessa perante mim uma intenção específica, um objectivo diferenciado. A cada segundo que passa sinto coisas únicas e jamais irrepetíveis. Estarei rodeado de arte? Será a vida assim tão erudita? Será arte a imortalização de um sentimento num acto que o exorciza?

Arte é ensaiar, explorar todos os sentidos e deixa-los flutuar num leito de irracionalidade. Arte é a assimetria de olhar a vida de todos os ângulos possíveis.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Viver sem legendas!

Passear por aí não é propriamente a minha definição de viver. Mas olhando em frente custa continuar. Querer coisas fora do nosso alcance tem um terrível efeito nas nossas conquistas imediatas. Perder o focus de um percurso de objectivos menores. Quando sonho, sonho longe da minha realidade, sonho para lá dos meus limites e isso custa-me a desvalorização dos prazeres do dia a dia, as pequenas vitórias são insignificantes à escala. Numa qualquer terapia me diriam para dividir os grandes objectivos em etapas atingíveis no curto prazo, mas para quê caminhar na direcção de algo que se afasta de nós a uma velocidade superior àquela a que nós conseguimos correr?

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Ó morte cruel...

Passa rápido o mundo lá fora. Embacia-se a janela, ofusca-se o mundo. Passa menos rápido agora… Queres ver o mundo por um vidro embaciado e mal limpo? Queres esperar por mais uma translação terrestre, mais uma fase da lua, mais uma estação? Mais uma década? Parece calmo o mundo lá fora quando temos a janela embaciada. Mas deixa-me que te diga: O mundo não para, nem sequer abranda. Quando muito para de acelerar. Mas mesmo assim duvido! Tens os dias contados, tens pouco tempo para fazer a diferença… Despacha-te, inventa qualquer coisa, parte esse vidro opressor. Cerra o punho com toda a tua força, até não puderes mais. Faz-te sentir vivo! Faz! Queres parar? Queres abrandar? Estás cansado? Falta-te o fôlego? Morre sem fôlego, morre extasiado. Morre vivo!!! Não queiras uma morte lenta.

Quando for velho, quando estiver moribundo vou olhar para trás e, no último silvar do consciente, vou ser miseravelmente infeliz. Vou ter querido tanta coisa, vou precisar de tanto mais tempo para ser feliz. Vou olhar-me de cima, elevado sobre o meu corpo, e pensar nas tantas coisas que ficaram por fazer e por dizer. Sou um não crente, mas naquela altura vou rogar a deus, vou implorar:

“Leva-me até à ignorância de não saber que, afinal, e apesar de ter vivido convencido do contrário, fui infeliz. Quero morrer 5 dias antes, transporta-me no tempo, ó deus que não me entendes, leva-me até à 5 dias atrás e faz-me morrer num qualquer acidente de viação, choque frontal, morte imediata, coisa simples. Transforma-me num morto feliz, num morto sem tempo para o último julgamento. Não, não quero voltar à vida, seria como que voltar ao prato vazio depois de uma refeição. Por muito esfomeado que me voltasse a sentir, não conseguiria ver nada para além de um prato vazio à minha frente."