terça-feira, novembro 28, 2006

A paixão como ela é...

Passou por mim confiante, olhos vivos, cabelo solto, despertou em mim todo o interesse. Era doce e meiga, meiga e doce. Era perfeita… Tinha aquele ar curioso de quem nunca está satisfeito. Ela era curiosa mas nunca impertinente. Enquanto passou por mim senti-me alheio a tudo o resto, senti um aperto no peito, um suor frio, senti-me perdido. Ela era a tal. Passava em câmara lenta, por segundos fiquei com a sensação que ela estava ali, não ia a nenhum lado, ela era o Sol, eu é que estava a passar ao lado. Por momentos deixei de ser Sol, agora tudo o resto, eu incluído, girava em torno de um novo corpo celeste. O egocentrismo desvaneceu-se… Perdido é mesmo o termo certo: não sei se era uma ânsia de prazer que me consumia, e aquele corpo despertava-me prazer, se uma vontade maior de ser feliz. Mas eu não estava excitado, não era o efeito de uma foto atrevida ou de um bikini mais ousado numa praia qualquer, era mesmo um aperto no peito, sem qualquer espécie de romantismo, um aperto do peito daqueles que nos parece precipitar para uma grande decisão. Mas não houve espaço para nenhuma decisão. Ela passou por mim, ou eu passei por ela, sem que nada, para além de uma troca de olhares, se tivesse passado. Naquele momento apetecia-me desistir de toda a minha vida, construída sob um escrutínio rigoroso do racional, e seguir por um atalho. Aquele ar de menina perfeita na sua imperfeição deixou-me desnorteado, a beleza do contraditório foi fulminante, tímida e evasiva, capaz e ansiosa por apoio, serena e desconcertante. Estaria aqui horas a arranjar adjectivos, sem que nenhum me parecesse suficientemente expressivo para traduzir o impacto que aquele olhar teve em mim. Aquele encontro deixou marcas, se não estivesse inundado de porcarias socializantes que nos toldam a liberdade de movimentos teria feito algo sobre o assunto, assim limitei-me a escrever sobre ele. Ai aquele olhar… Nem sequer sei a cor dos olhos dela, não interessa. Tenho ideia de serem escuros, mas a leveza com que ela erguia o seu olhar perante mim fez esquecer cores e formas, fez esquecer a beleza que, na realidade, ela tinha. Enquanto me cruzava naquele olhar só conseguia ver intenção, só conseguia ler desejos.

3 comentários:

Anónimo disse...

ai aquele olhar, aquele olhar... lol quem é a tipa? é aquela da bilha de gás?

Anónimo disse...

pareces parvo...

Anónimo disse...

um sol de olhos escuros... a beleza do contraditorio... hum... num ta bunito isto....